Dança do Ventre

Resgate do equilíbrio no Oriente

Dança do Ventre: Saúde para a mente e o corpo

Em pleno sáculo 21, a milenar Dança do Ventre está ganhando cada vez mais adeptas. Nesse período de intensa ditadura de beleza, as mulheres defendem que a necessidade e a vaidade que as motivam a terem cuidado com o corpo e com a saúde física já não é o suficiente.  Sobrecarregadas pelas imposições dos padrões estéticos da moda, optam em praticar esta arte milenar visando principalmente o cuidado com a saúde mental.

A sensualidade aflorada pelo corpo a fora, mãos que incitam mistérios com movimentos ora suaves, ora acelerados, compõem um trabalho terapêutico de resgate da sensualidade, da auto-estima e da satisfação com o próprio corpo corrompida pelas imposições da modernidade. As mulheres, muitas vezes incumbidas de tripla jornada de trabalho, encontram nesta dança um momento em que os problemas se dispersam e a timidez passa a ser um incômodo irrelevante. A Dança do Ventre devolve às praticantes a identidade feminina, através da sensualidade e da consciência corporal.

A personagem da dançarina é incorporada através das vestes coloridas, lenços e outros adereços, estimulando a fantasia e a libido de quem dança e de quem assiste. A cada ritmo expressado pelos movimentos sutis e intensos, as mulheres se unem para atingir o mesmo objetivo, reencontrar o seu “eu-feminino”. Para a professora de dança do ventre e estudante do curso de artes da Universidade Federal de Juiz de Fora, Andiara Barbosa Neder, 22, a dança começou a ganhar mais espaço depois da emancipação da mulher. Depois de toda luta ao longo dos tempos, a mulher conseguiu se firmar na sociedade. Cada vez mais ela foi se desfazendo dos tabus impostos desde a sua infância. “Com todos esses movimentos feministas originados pelo desejo de se equiparar ao homem, no sentido de ter os mesmos direitos, ela (a mulher) foi se enrijecendo. A dança é uma maneira de recuperar essa essência feminina, sem anular seus direitos conquistados, até mesmo porque ela precisava dessa radicalização toda para se emancipar.”, completa.

De adolescentes a terceira idade, de estudantes a profissionais liberais, a dança não exclui e não faz distinção entre suas praticantes. Segundo a psicóloga e também professora de dança do ventre, Fabiana Tolomelli, 32, a atividade não impõe padrão corporal, racial, social ou de idade, isso faz com que o público seja cada vez mais heterogêneo. “Tenho alunas de 10 a 60 anos de idade. Médicas, advogadas, domésticas, aposentadas, pessoas com necessidades especiais, donas de casa, juízas e estudantes. Negras, brancas, pardas, loiras, gordinhas e magrinhas, enfim, a dança do ventre é feminina! É para todas!”, completa. A técnica em química, Márcia Trindade Vieira de Castro, 39, que está há três meses fazendo aulas, é exemplo dessa heterogeneidade.“A dança me deixou mais calma, me sinto mais bonita, coloquei até um piercing no umbigo, mesmo com quase quarenta anos. Estou me soltando cada vez mais, não importa se o marido goste ou não, não estou nem aí.”, fala com descontração.

A força de vontade que a mulher carregada em sua rotina é canalizada para essa prática milenar, sendo usada como arma para superar dores pelo corpo, depressão e baixa auto-estima. São nos estúdios de dança cada vez mais cheios, que as mulheres encontram uma “válvula de escape”. Mesmo com incômodos por todo o corpo, devido à Fibromialgia (desordem que causa dor muscular e fadiga), Márcia, por exemplo, recorreu à dança como forma de terapia. Após descobrir que eu tinha fibromialgia, a médica disse que eu tinha que fazer coisas que me dessem prazer. “Como já era fascinada com a dança, desde a novela ´O Clone´, juntei o prazer com a necessidade de praticar um exercício e sei que o meu psicológico tem melhorado. Às vezes até esqueço que tenho esse problema”, afirma.

As técnicas orientais tratam o indivíduo de forma holística, ou seja, visam o equilíbrio entre o corpo e a mente. A dança do ventre reúne diversos benefícios que a tornam cada vez mais atrativa e recomendada por terapeutas. “Os benefícios da dança do ventre são inúmeros, como por exemplo: a correção postural, o trabalho com toda a musculatura que leva a uma resistência corporal maravilhosa; a coordenação motora, a auto-estima elevada, a sensualidade, a feminilidade, além da leveza de espírito e do relaxamento que os movimentos proporcionam.”, afirma Fabiana Tolomelli.

Surgimento

Não se sabe ao certo onde e nem como surgiu a dança, apenas há indícios de que era praticada há 7.000 a.C. no Antigo Egito, como um ritual sagrado, no qual somente mulheres se reuniam para reverenciar a deusa Ísis, arquétipo da “Grande-Mãe”, que lhes daria proteção durante a gestação e condições para um parto seguro. Após a invasão árabe no território egípcio, houve uma disseminação da dança pelo ocidente. Várias outras culturas foram se fundindo a essa dança ritual, o que lhe deu um aspecto artístico, misterioso e sensual ao longo do tempo.

Ela também sofreu deturpações por seu aspecto aparentemente libidinoso. Em vários países é vista como uma prática vulgar direcionada totalmente ao sexo. A dança do ventre desenvolve na mulher uma sensualidade clássica, livre de qualquer traço de vulgaridade, pois esta arte milenar nada tem a ver com erotismo e traz ganhos para a mulher em todas as áreas, até mesmo na sexual, justamente por desbloquear a saída de energia pelos pontos vitais e por manter o tônus muscular do baixo ventre feminino, proporcionando assim, às mulheres, um grande controle de sua musculatura interna. “Conhecer a dança de perto, as suas origens e benefícios é uma maneira de respeitar uma tradição milenar e de mostrar para as pessoas que a dança traz benefícios à vida sexual também, mas nem por isso deve ser levada para o erotismo.” – ressalta Andiara Barbosa Neder.

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