Brasileiros na F1

BRASILEIROS NA FÓRMULA 1

A história dos pilotos brasileiros na F1 é uma mistura de glórias, sucessos, fracassos, vitórias, derrotas, mortes e títulos. De Chico Landi a Felipe Massa os pilotos brasileiros sempre demonstraram uma incrível garra para transpor as dificuldades naturais de quem nasce em um país de terceiro mundo, para chegar ao ponto de ser o país com maior número de títulos na formula 1 (juntamente com a Inglaterra). No total, são 8 títulos dos pilotos Emerson Fitipaldi (2), Nelson Piquet (3) e Ayrton Senna (3).

Em toda a história do campeonato mundial de pilotos, desde o Grande Prêmio da Grã-Bretanha, em 13 de maio de 1950, 28 pilotos brasileiros tiveram o privilégio de competir na categoria número 1 do automobilismo mundial.

O inicio

O primeiro brasileiro a participar de um Grande Prêmio valendo para o campeonato mundial foi o legendário Chico Landi, que disputou com uma Ferrari o GP da Itália de 1951. Landi, na época com 44 anos de idade, não conseguiu completar a primeira volta. Ele foi também o primeiro brasileiro a pontuar, isso no GP da Argentina de 1956. Com uma Maserati e em dupla com o italiano Gerino Gerini chegou em quarto lugar. Até 1957 os pilotos podiam trocar de carro e dividir os pontos. O nosso primeiro brasileiro de experiência internacional disputou apenas 6 GPs, entre 1951 e 1956. Mesmo sem contar com popularidade na grande mídia, os feitos de Landi marcaram profundamente a infância de “um tal” Emerson Fitipaldi, que sempre o citou como influência.

Gino Bianco participou de 4 provas em 1952, numa Maserati. Em 1956 Hernando da Silva-Ramos, nascido em Paris, mas de nacionalidade brasileira, conseguiu o quinto lugar no GP de Mônaco pilotando uma Gordini. Fritz d’Orey em 1959 disputou duas corridas pela Maserati e uma pela Tec-Mec.

O Nascimento dos grandes ídolos nacionais da Fórmula 1

Emerson Fittipaldi

A partir de 19 de julho de 1970 o Brasil nunca mais saiu da Fórmula 1. Desta data em diante o país nunca mais foi o mesmo e a palavra fórmula 1 se tornou uma constante no vocabulário nacional. Nessa data, Emerson Fittipaldi, o primeiro brasileiro de sucesso na F1, estreou no Grande Prêmio da Grã-Bretanha pilotando uma Lótus, equipe de Colin Chapman. Naquele ano o piloto venceu o Grande Prêmio dos Estados Unidos e garantiu para o seu companheiro de equipe Jochen Rindt (que havia morrido em um acidente pavoroso nos treinos para o GP da Itália), o único título póstumo da história da F1. Era a primeira de um total de 80 vitórias brasileiras. Emerson foi o primeiro de uma geração que se atirava em uma Europa desconhecida para alcançar seus sonhos.

O primeiro título de Emerson veio logo em 1972, com Lotus-Ford, em uma disputa com o escocês Jackie Stewart, na época o melhor piloto do mundo e um dos maiores de todos os tempos. Esse título fez dele o mais novo de todos os campeões mundiais até hoje, com 25 anos e 273 dias. Em 1973 Fittipaldi foi vice de Stewart e no ano seguinte bicampeão mundial, com McLaren-Ford, disputando o título na última corrida da temporada, o Grande Prêmio dos Estados Unidos, com o suíço Clay Regazzoni e o sul- africano Jody Scheckter. Em 1975 foi novamente vice- campeão, desta vez do austríaco Niki Lauda.
No final de 1975, depois de 5 temporadas completas e 70 Grandes Prêmios disputados, Emerson Fittipaldi já colecionava 2 títulos mundiais, 2 vice-campeonatos e 14 vitórias na Fórmula 1. Isso tudo com apenas 28 anos de idade.

Em 1975 Wilson Fittipaldi Jr, seu irmão, criou uma equipe brasileira e Emerson passou cinco anos na Copersucar, de 1976 a 1980, conseguindo em 74 GPs como melhor resultado, o segundo lugar no GP do Brasil de 1978. Esses anos na fracassada equipe nacional serviram para diminuir um pouco o interesse nacional na F1. Acostumado com vitórias, o povo brasileiro não sabia perder, ainda mais em um carro 100% brasileiro.

Na época de Emerson na Copersucar, José Carlos Pace, o saudoso “Môco”, era a grande esperança brasileira, correndo pela Brabham, mas um acidente aéreo no interior de São Paulo em 1977 tirou sua vida. Pace é um dos cinco brasileiros com vitória na F1, ao lado de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Ayrton Senna e Rubens Barrichello.

Nelson Piquet

Entre 1976 e 1979 o Brasil não conquistou nenhuma vitória e só em 1980, no GP dos Estados Unidos, em Long Beach, Nelson Piquet fez com que a torcida brasileira voltasse a ouvir o hino nacional brasileiro. Entre 1980 e 1993 o Brasil não passou um só ano sem conquistar pelo menos uma vitória

Bastante diferente de Emerson, que vinha uma família tradicional nos meios automobilísticos do Brasil, Piquet era filho de político, mas teve que começar a correr sem dinheiro e nenhum apoio da família (ao contrário de Fitipaldi que tinha na família seu principal incentivo). Piquet também era diferente na sua personalidade. Frio, distante e sarcástico, o estilo Piquet se contrapunha ao carisma e polidez de Emerson.

Mesmo assim fez uma legião de fãs num período que é considerado até hoje como o de maior concentração de talento na F1.

Na sua segunda temporada completa Piquet já conquistava o vice-campeonato mundial em disputa com o australiano Alan Jones e no ano seguinte, 1981, conquistava seu primeiro título com Brabham-Ford, disputando na última corrida com o argentino Carlos Reutemann e o francês Jacques Laffite. Dois anos depois foi bicampeão com Brabham-BMW turbo, novamente na última corrida e dessa vez com os franceses Alain Prost e René Arnoux. Piquet foi o primeiro campeão mundial com motor turbo.
Em 1987 foi o primeiro brasileiro tricampeão do mundo, com Williams-Honda turbo. Naquele ano, também no dia primeiro de maio e na curva Tamburello, sofreu o pior acidente de sua carreira na Fórmula 1. Depois desse acidente Piquet nunca mais foi o grande piloto do início dos anos 80. Em 1986 disputou o título com Alain Prost na última corrida até a última volta, o GP da Austrália. Portanto em 1987, o Brasil em menos de duas décadas de disputa efetiva já colecionava 5 títulos, com um piloto bi e outro tricampeão mundial, sendo que de 1987 a 1991 (5 temporadas) só não foi campeão em 1989.

A era Ayrton Senna

Ainda com Piquet bicampeão, surgiu em 1984 Ayrton Senna, o brasileiro de maior sucesso na Fórmula 1 e considerado por muitos especialistas como o melhor piloto de todos os tempos. Senna foi campeão em 1988 (o último campeão com motor turbo), vice-campeão em 89, bi em 90, tricampeão em 91 e novamente vice em 93. Tudo com a McLaren-Honda se tornando um herói nacional. Seu carisma, junto com um misticismo declarado, dava contornos épicos ao seu estilo e sua fama. No período entre 1988 e 1990 Senna proporcionou aos apaixonados da Fórmula 1 o maior duelo da sua história com o francês Alain Prost.
Ele é o terceiro maior vencedor da F1, com 41 vitórias. Senna tinha tudo para bater o recorde de cinco títulos de Juan Manuel Fangio e o de 51 vitórias de Alain Prost, e tornar-se o maior piloto de todos os tempos, mas no dia primeiro de maio de 1994, em uma das maiores fatalidade do esporte mundial, perdeu a vida com apenas 34 anos, no auge de sua gloriosa carreira, na curva Tamburello, no autódromo de Ímola, onde conquistou 3 vitórias, 8 pole positions, sendo 7 consecutivas (de 1985 a 1991) e onde teve a sua única não-classificação para a largada nos 162 treinos oficiais de que participou. Neste mesmo ano a seleção brasileira de futebol conquistou a tetra campeonato mundial. O título foi dedicado ao piloto.

O Jejum de títulos e o surgimento de novos ídolos nacionais

Depois do tricampeonato de Ayrton Senna em 1991 o Brasil entrou num jejum de títulos que dura até hoje. Até 1999 Christian Fittipaldi, Rubens Barrichello, Roberto Moreno, Pedro Paulo Diniz, Ricardo Rosset, Tarso Marques e Ricardo Zonta não ameaçaram vencer nenhuma corrida e o nosso melhor resultado foram os segundos lugares de Barrichello no GP do Canadá de 1995 e Mônaco de 1997.

No ano de 2000 finalmente o Brasil voltou a vencer, conseguindo a sua octogésima vitória na Fórmula 1, com a inesquecível vitória de Barrichello no Grande Prêmio da Alemanha. E Luciano Burti estreou na Jaguar correndo apenas no GP da Áustria, substituindo o irlandês Eddie Irvine que estava doente. Em 2001 Enrique Bernoldi e depois, em 2002, Felipe Massa tornando-se o vigésimo – quinto brasileiro a estrear.
Rubens Barrichello poderia ter sido o quarto piloto brasileiro a conquistar a coroa máxima da F1, mas seus anos em um carro competitivo (Ferrari) foram ao lado do maior piloto de todos os tempos (em números) o alemão Michael Schumacher. Um azar que seu substituto na equipe italiana, Felipe Massa, não teve. Massa conquistou o vice-campeonato de 2008, após uma batalha épica e ferrenha contra o inglês Lewis Hamilton, perdida nos últimos segundos do último GP do ano, justamente no Brasil.

Atualmente o Brasil tem 3 pilotos, Felipe Massa, Rubens Barrichello, Nelson Ângelo Piquet, todos em ótimas condições (boas equipes), para continuarem lutando por títulos e vitórias na F1 e fazer com que a tradição brasileira se perpetue por mais algumas gerações de fãs em nosso pais.

A lista completa de todos os brasileiros que correram na F1 segue abaixo ( em ordem alfabética ):

Alex Dias Ribeiro
Antonio Pizzonia
Ayrton Senna
Chico Landi
Chico Serra
Christian Fittipaldi
Cristiano da Matta
Emerson Fittipaldi
Enrique Bernoldi
Felipe Massa
Fritz d’ Orey
Gino Bianco
Hermano da Silva Ramos
Ingo Hoffmann
José Carlos Pace
Luciano Burti
Luiz Bueno
Mauricio Gugelmin
Nelson Ângelo Piquet
Nelson Piquet
Pedro Paulo Diniz
Raul Boesel
Ricardo Rosset
Ricardo Zonta
Roberto Moreno
Rubens Barrichello
Tarso Marques
Wilson Fittipaldi

Uma resposta to “Brasileiros na F1”

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    […] F1 – A trajetória brasileira nas pistas Camilo […]

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