NATAÇÃO

Desafios e vitórias da natação em Juiz de Fora

Aldo Manfrói - Acessa.com
Aldo Manfrói – Acessa.com

Por Aline Pernambuco

Correr com os braços, flutuar, sentir-se livre, leve e solto. Assim se sente quem se entrega ao imenso mundo das águas e consegue controlar o elemento que domina o planeta e os seres vivos. A natação ainda não é um esporte muito popular, mas vem ganhando adeptos no mundo inteiro, inclusive em Juiz de Fora, que conta com um expressivo número de destacados nadadores. No entanto, esses atletas juizforanos se deparam com um cenário esportivo sombrio: sem apoio financeiro e dos clubes, os atletas da cidade tentam caminhar com as próprias pernas (e braços). Alguns dão a sorte de serem “adotados” por clubes de outras cidades, mas, do contrário, estão entregues à própria sorte.

Entretanto, mesmo com a cena obstruída pelos desafios, Juiz de Fora conta com um bonito histórico de estrelas do atletismo, grandes ícones da natação que um dia brilharam no cenário mundial. É o caso do italiano Aldo Monfrói, que escolheu Juiz de Fora para viver em 1953 e na cidade permaneceu até o seu falecimento, em 2007. O atleta, que chegou a afirmar em um livro de sua autoria que “a mente vence o corpo”, demonstrou com a própria vida que a mente conseguiu dominar o seu corpo. Aldo foi campeão italiano de patinação no gelo, tricampeão italiano de natação, disputou a primeira maratona aos 57 anos, obteve um recorde mundial, 36 recordes brasileiros, 33 recordes sulamericanos, foi dez vezes campeão brasileiro de triatlon, tricampeão sulamericano de triatlon, bicampeão panamericano de triatlon, acumulou mais de mil e cem vitórias, foi supermaster do ano, em 1991, teve 52 vitórias em 1992 , 60 vitórias em 1993, foi Top Ten de 1996 e em 1997, no espaço de um ano, Aldo acumulou 87 vitórias. Além de todas as vitórias pessoais, o atleta parece ter irradiado a sua energia em casa, chegando a ser chamado de “pai da natação mineira”, já que seus três filhos, ainda jovens, conquistaram vários títulos e recordes estaduais, nacionais e internacionais.

Recentemente também se destacaram na natação, no cenário competitivo nacional e internacional, os irmãos juizforanos Renato e Rodrigo Melo. Os nadadores marcaram presença na etapa da Copa do Mundo de Natação em 2002 no Rio de Janeiro, com destaque para Rodrigo Melo que obteve o segundo lugar no 50 Costa. Mais tarde, Rodrigo foi convidado a nadar e estudar na University of North Dakota, nos Estados Unidos (2004-2008), sendo considerado por três anos seguidos o destaque estrangeiro da Liga Norte Americana de Natação. Renato Melo também foi destaque nas piscinas, e já participou de vários campeonatos regionais, municipais, estaduais e nacionais, além de ter sido integrante da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2002.

Outro atleta juizforano de destaque é Álvaro Luiz, atleta e professor de natação do Sport Club JF. Álvaro, mais conhecido como “Cebola” pelos seus alunos, foi atleta profissional entre 1987 a 1999, quando participou de Campeonatos Mineiros, Sudeste, Open de Natação e do Campeonato Brasileiro de Natação. O professor acumula uma coleção de medalhas em Competições estaduais, tendo sido campeão mineiro por várias vezes e em diversas categorias e tido outras conquistas no Campeonato Brasileiro de Natação. Recentemente Álvaro conquistou outro título, dessa vez na primeira etapa do Circuito de mil metros de Niterói, quando atravessou a praia de Itaipu e ficou com o segundo lugar da Categoria Master A. A competição, que aconteceu no dia 22 de maio, contou com a participação da equipe de natação do Sport Club JF, sendo Álvaro o destaque da equipe.

Superando desafios

Acreditar em si mesmo. Ousar. Superar os próprios limites. Ter força, perseverança, disciplina e dedicação. São essas algumas das principais qualidades exigidas do atleta da natação que, com elas, tem grande chance de se tornar um destaque no mundo dos esportes.

Destacando a cidade como um berço de estrelas da natação, Rodrigo Melo, que atualmente mora nos Estados Unidos, explica, decepcionado, que alguns obstáculos acabam suprimindo verdadeiros talentos: “A natação de Juiz de Fora sempre teve forte presença no cenário nacional. Grandes atletas surgiram de clubes como o Bom Pastor e o Sport Club. Mas, infelizmente, nunca houve grandes investimentos (dinheiro), então os melhores nadadores acabaram se mudando para clubes maiores em outras cidades ou parando de nadar!” Compartilhando da mesma opinião, Álvaro conta que a situação na cidade não é fácil: “Falta apoio e visão dos clubes de Juiz de Fora. Dificilmente há apoio financeiro para ajudar os nadadores, até os  atletas de ponta que representam a cidade sofrem com a falta de patrocínio.” Ele cita o exemplo da jovem nadadora Larissa Martins, Campeã Sul-americana nos 50 e 100 livre: “Ela treina em Juiz de Fora mas, compete pelo Botafogo do Rio de Janeiro, clube que a ajuda financeiramente.” A falta de apoio e incentivo para o esporte em Juiz de Fora representa um lamentável  aborto do futuro de jovens que poderiam se destacar nos esportes, como a nadadora Larissa.

Um pouco mais otimista, o atleta Renato Melo, que vive em Belo Horizonte atualmente, acredita que a situação está melhorando: “O cenário esportivo em Juiz de Fora vive, atualmente, uma reconstrução, através da reestruturação de alguns dos melhores clubes da cidade.” Entretanto, ele admite que o maior desafio dos atletas juizforanos é a falta de patrocínio: “Falta investimento (dinheiro). Sem isso, a cidade não conseguirá “segurar” nenhum atleta” e acrescenta: “Juiz de Fora deveria incentivar mais a natação e apoiar os seus atletas”.

Um dos exemplos dessa realidade é o jovem nadador Luiz Eduardo Mendes Matheus, 17 anos, que começou a fazer natação para tratamento de bronquite asmática e chegou a ser campeão do Campeonato interno de Craw da Áquatica, onde nadou por cinco anos. No entanto, por falta de motivação, ele interrompeu os treinamentos em abril deste ano. “A natação é o melhor esporte que existe, mas, não me sentia mais motivado a fazer”, conta. Ele explica que o vestibular também se tornou um empecilho: “A pressão do vestibular é tão grande que faz a gente desistir das coisas.” O professor Álvaro explica que a adolescência é um período difícil, que contribui para a desistência de algumas promessas da natação: “Nessa idade eles têm problemas escolares, emotivos, muitas festas etc. Tudo pode mudar o futuro de um atleta que está começando”.

Treinar, Treinar, Treinar!

O esforço e o trabalho intenso são essenciais para quem deseja obter títulos e conquistas no esporte. Principalmente, quando tudo isso depende unicamente da própria pessoa, como no caso de grande parte dos nadadores da cidade. Os atletas de destaque de Juiz de Fora mostram que tantas conquistas exigiram disposição e dedicação, além de uma grande dose de paciência. O atleta Renato Melo conta que o caminho não é fácil: “O treinamento sempre foi duro, mas para quem quer chegar a um alto nível é necessário fazer escolhas e treinar de forma árdua e em longo prazo. Treinei uns oito anos até começar a aparecer resultados significativos.”

Treinar é a chave para o sucesso. Álvaro conta como era a sua rotina quando era atleta profissional:  “Eu treinava seis vezes por semana, com uma duração de duas a três horas diárias de treino e com alguns treinos duplos (manhã e tarde), dependendo do foco para a temporada”. Com a mesma rotina, Rodrigo Melo, que começou a nadar pelo Sport em 1986 e chegou à Universidade de Dakota do Norte (2004 – 2008), conta que treinava seis vezes por semana com treinos duplos.

No passado e no presente, esses atletas juizforanos são exemplos de força e persistência e confirmam a crença de que, mesmo aos trancos e barrancos, o brasileiro não desiste nunca. E, apesar da falta de patrocínio e interesse, esses atletas da natação mostram que a força de vontade é capaz de mover montanhas e ultrapassar os nossos íngremes montes mineiros…

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Uma resposta to “NATAÇÃO”

  1. De primeira « Jornalismo Esportivo – Estácio JF Says:

    […]  A NATAÇÃO EM JUIZ DE FORA – O grande Manfrói e as novas […]

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